Pelo menos 13 pessoas morreram e outras 200 ficaram feridas nas
violentas manifestações realizadas nesta sexta-feira (12) contra o filme
anti-Islã "A Inocência dos Muçulmanos" nas grandes cidades
paquistanesas, segundo novo balanço divulgado por fontes hospitalares.Um total de quatro pessoas, três manifestantes e o motorista de um canal de televisão paquistanês, foram mortos nos confrontos com a polícia em Peshawar, nordeste, e outros nove, incluindo um policial, em Karachi, sul.
Protestos também foram registrados na cidade de Rawalpindi, próxima de Islamabad.
Manifestantes protestam contra o filme anti-Islã nesta sexta-feira (21) na cidade paquistanesa de Rawalpindi (Foto: AP)Também ocorrem protestos em vários outros países muçulmanos.
Cerca de 100 iranianos protestaram em frente à embaixada em Teerã na quinta-feira.
As autoridades da Tunísia proibiram qualquer manifestação durante o dia, sob a alegação de estar a par de preparativos de atos de violência.
O governo islamita tunisiano, surgido da Primavera Árabe, teme agora ser alvo do salafismo jihadista, uma corrente extremista com crescente pregação social.
Outros incidentes foram registrados na Indonésia, o país com maior número de maometanos do mundo, onde manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos, França e Israel em protestos nas cidades de Medan (Sumatra) e Surabaya (Java).
O YouTube restringiu nos últimos dias o acesso ao vídeo "A Inocência dos Muçulmanos" em vários países, incluindo Líbia e Egito, onde começaram os protestos. Outros países, como Paquistão e Sudão, bloquearam por iniciativa própria as imagens.
O vídeo panfletário foi atribuído a extremistas cristãos dos Estados Unidos, mas o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, considera uma "conspiração israelense" que pretende "dividir (os muçulmanos) e provocar um conflito sectário".
Nos Estados Unidos, o vídeo permanecerá disponível, após a decisão de um juiz de Los Angeles que recusou o pedido de uma atriz que alegava ter sido enganada pelos produtores do filme.
França
A publicação das charges do profeta Maomé na revista Charlie Hebdo aumentou a tensão e provocou um amplo debate na França sobre a liberdade de expressão.
A polícia francesa proibiu uma manifestação convocada para sábado diante da Grande Mesquita de Paris sob o lema "Não toque no meu Profeta".
A principal agência representante dos muçulmanos pediu calma nesta sexta-feira, quando uma nova edição das charges que representam o profeta Maomé nu chegou às bancas do país, renovando preocupações sobre mais protestos no dia reservado a orações no mundo islâmico.
As charges no semanário satírico "Charlie Hebdo" aumentaram as tensões.
Embaixadas, escolas e centros culturais franceses foram fechados em 20 países muçulmanos por ordem do governo da França após a primeira publicação das charges.
Em Paris, a polícia entrou em alerta depois que protestos programados por alguns grupos muçulmanos foram proibidos.
Mohammed Moussaoui, líder do Conselho Muçulmano Francês (CFCM), descreveu o filme e as charges como "atos de agressão", mas fez um apelo aos muçulmanos franceses para não tomarem as ruas com protestos violentos.
"Repito o pedido do CFCM para não protestarem -- qualquer protesto pode ser sequestrado e contraproducente", disse Moussaoui à rádio francesa RFI.
O semanário "Charlie Hebdo", cujo escritório em Paris está sob proteção policial, desafiou os críticos das charges ao lançar uma nova edição da publicação que causou furor e esgotou em poucos minutos na quarta-feira. A publicação disse que as charges têm o objetivo de fazer piada com toda a confusão envolvendo o filme.
Houve poucos protestos nas ruas da França contra as charges, mas autoridades francesas estão preocupadas que elas possam alimentar a fúria em outras partes do mundo iniciada com o filme, feito na Califórnia, que representa o profeta Maomé como um devasso.